Um detalhe curioso — e essencial — ao falarmos de relógios são os seus estilos. É muito comum, ao acompanharmos entusiastas ou especialistas da relojoaria, ouvirmos termos como divers, dress, cronógrafo, entre outros. Cada um deles representa um estilo distinto, com origens históricas, funções práticas e características próprias.

Entender esses estilos é importante na hora de escolher o seu relógio. No fim das contas, é claro, o que eu indico (se é que posso me colocar nessa posição) é usar aquilo que você gosta. Mas conhecer os diferentes estilos — e saber qual combina mais com você e com cada ocasião — faz toda a diferença.

Então decidi fazer este post explicando, de forma simples, as diferenças entre eles, para servir de guia na hora de escolher o seu relógio.

Diver – Relógio de mergulho

Inicialmente criados para servir como uma ferramenta de fato, sinônimo de resistência, os divers hoje estão presentes no pulso de pessoas que, assim como eu, não têm a menor intenção (nem a coragem) de um dia mergulhar.

Com o avanço tecnológico e, consequentemente, a criação de novas ferramentas para auxiliar os mergulhadores, o diver se tornou cada vez menos necessário nessa atividade.
Por outro lado, ganhou espaço no pulso de pessoas com rotinas mais casuais, especialmente entre os homens, pelos mesmos motivos que o tornaram tão prestigiado: resistência, robustez e excelente legibilidade.

Entre suas principais características estéticas, como podemos ver na Figura 1, estão: o bezel unidirecional (1), a caixa robusta (2) e o mostrador (3) de fácil leitura — normalmente com ponteiros largos, indexes grandes (4) e aplicação generosa de lume (material fosforescente).

Diver. Imagem gerada por IA e editada.

Cronógrafo

Assim como os divers, os cronógrafos nasceram com uma função bem definida: medir intervalos de tempo. Por décadas, foram ferramentas essenciais, indo além de simplesmente mostrar as horas. Hoje essa função é facilmente substituída por smartphones, por exemplo (mas sem o charme). Ainda assim, os cronógrafos continuam entre os modelos mais adorados da relojoaria.
Por quê? Simples: o mecanismo é uma verdadeira obra de arte. Além disso, seu visual técnico e detalhado agrada a muitos, transmitindo perfeitamente a ideia de um tool watch (“relógio-ferramenta”).

As principais características estéticas, como vemos na Figura 2, são os submostradores — geralmente dois — que indicam o acumulador de minutos do cronógrafo (1) e o ponteiro de segundos contínuos do relógio (2). Outro detalhe marcante são os botões (3 e 4) — normalmente dois também — responsáveis por iniciar, parar e zerar o mecanismo. Já o ponteiro central de segundos (5), que nos relógios convencionais marca os segundos continuamente, aqui cumpre a função de contar os segundos do cronógrafo, sendo acionado somente pelos botões.

Cronógrafo. Imagem gerada por IA e editada.

São muitos os detalhes que podemos explorar, mas deixaremos para um post mais aprofundado futuramente.

Field e Pilot (Flieger)

Agrupei esses dois estilos porque compartilham origens semelhantes: surgiram no contexto de guerra: um no solo da Primeira Guerra Mundial (Field), e o outro nos ares da Segunda Guerra Mundial (Pilot/Flieger).

Como foram criados para uso em campo de batalha, seguiam a premissa de serem o mais simples possível, oferecendo apenas funções realmente úteis para o momento. Com o passar dos anos e a comercialização para o público em geral, outras funções foram incorporadas. Suas principais características estéticas são:

Field (Figura 3) – Tamanho de caixa moderado, entre 36 mm e 40 mm. O mostrador é limpo, com números arábicos grandes para favorecer a legibilidade. Costumam ter poucas complicações — em geral, apenas horas, minutos, às vezes segundos e data (1). Muitos modelos também trazem uma escala interna de 24 horas (2). A caixa é discreta, normalmente feita de aço escovado ou com acabamento fosco.

Field. Imagem gerada por IA e editada.
Pilot/Flieger. Imagem gerada por IA e editada.

Pilot / Flieger – Tanto os modelos do tipo A como os do tipo B compartilham características semelhantes (Figura 4). Originalmente, tinham caixas muito grandes (chegando a 55 mm), mas hoje costumam variar entre 40 mm e 46 mm. A coroa é geralmente do tipo diamond (1) ou onion (2) — ambas de tamanho avantajado, pensadas para facilitar o manuseio com luvas para os pilotos.
Os mostradores são limpos e com alto contraste, normalmente com dial preto e números brancos ou beges.

A principal diferença entre os tipos A e B está na estética do mostrador: o tipo B possui uma escala de minutos maior (3), enquanto a escala de horas aparece em um círculo menor central (4).
Um detalhe interessante é a presença de um triângulo (5) e de uma flecha (6) na posição das 12 horas — um recurso pensado para agilizar a leitura do mostrador pelo piloto.

Dress Watch – Relógio social

Por mais que haja bastante espaço para discussão sobre o que pode — ou deve — ser considerado um dress watch nos dias de hoje, não entrarei nesses detalhes neste post. Aqui, trago apenas minha humilde opinião sobre esse estilo que tanto adoro (talvez o meu favorito).

Em essência, um relógio dress é aquele pensado para ser usado com roupas mais formais. Ideal para ocasiões em que o traje exige maior elegância, ele segue uma premissa clara: ser discreto e complementar ao conjunto, nunca o protagonista.
Deve transmitir sobriedade e sofisticação mas sem alarde — um detalhe silencioso de bom gosto.

Sendo assim, suas principais características estéticas são:
Caixa pequena, entre 34 mm e 38 mm — embora hoje seja comum encontrar modelos de 40 mm. Talvez mais importante que o diâmetro da caixa seja a sua altura: relógios mais baixos (finos) se enquadram melhor aqui, pois chamam menos atenção e deslizam com facilidade por baixo da camisa (no caso dos homens).
Por mais que braceletes — sejam de aço ou de materiais preciosos — também possam funcionar muito bem, as pulseiras de couro ainda têm um apelo maior quando o assunto é sofisticação.
O mostrador deve ser limpo, sem detalhes exagerados ou muitas complicações (quem sabe até sem data?).

Dress Watch. Imagem gerada por IA.

Incrível como existem tantos estilos diferentes de relógios, não é? E pensar que, dentro de cada um deles, as marcas ainda lançam inúmeros modelos com variações próprias… isso torna esse universo ainda mais vasto.

Neste post mencionei alguns termos que talvez não tenham ficado tão claros para quem está começando agora. Então fique de olho: logo sai um glossário explicando algumas das principais terminologias da relojoaria.

Até logo!


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